Exposição, Barril é Falar de Amor Sem Gritar Resistência

Exposição coletiva afroindígena no Museu Câmara e Cadeia, Centro Histórico, em Santa Cruz Cabrália/BA, 2026.

êmydyô.

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Atuei enquanto elaborador e produtor executivo da exposição Barril é Falar de Amor sem Gritar Resistência, realizada de 01/03 á 30/03 de 2026, no Museu Câmara e Cadeia, no Centro Histórico, na cidade de Santa Cruz Cabrália/BA. Expondo 6 artistas, Roberta Reis, Takykwã Pataxó, Ianina, Nayara Moura, Evelyn Emi e Simirã Pataxó, alcançando um público de mais de 1.000 visitantes, provindos de 20 estados brasileiros diferentes, como RJ, MG, RO, SC, RS, PR, SP, BA, PA, ES, MT, SE, RN, GO, MS, AM, PB e PI e de 6 países como Alemanha, Argentina, Inglaterra, França, Portugal e Brasil. O alcance foi imenso para pessoas de todas as idades e origens. O projeto teve apoio financeiro da Política Nacional Aldir Blanc - PNAB, por meio da Prefeitura Municipal de Santa Cruz Cabrália, com apoio do Estado da Bahia e do Governo Federal.

"A exposição nasceu no território da Costa do Descobrimento, lugar que persistem histórias que não cabem nos registros oficiais. Elas atravessam quintais, margens de rios, casas, aldeias e espaços de convivência cotidiana, sustentadas por mulheres que constroem modos de existir, criar pensamento e permanecer apesar das continuidades do projeto colonial.

Barril é falar de amor sem gritar resistência” nasce desse chão comum. Reúne o trabalho de 6 artistas mulheres afroindígenas cujas trajetórias, embora diversas em linguagem, origem e experiência, se encontram na arte como espaço de elaboração crítica da memória, do afeto e da permanência. Aqui, resistir não se apresenta como gesto espetacular ou confronto direto, mas como prática cotidiana e consciente: produzir conhecimento, narrar histórias, afirmar saberes, ensinar, lembrar e continuar.

A exposição propôs a afetividade como tecnologia de sobrevivência, não como um ideal romântico, mas como uma força política organizadora da vida. O afeto apareceu como estratégia de vínculo, de sustentação coletiva e de transmissão de saberes, capaz de manter vivas cosmopercepções, experiências e modos de existir diante das violências ainda em curso, como o racismo ambiental, o apagamento cultural, as desigualdades de gênero e as expulsões simbólicas e materiais dos territórios. Instalada na Casa de Câmara e Cadeia de Santa Cruz Cabrália — espaço historicamente marcado pela vigilância, pelo julgamento e pela punição —, a mostra deslocou o sentido da arquitetura colonial. Onde antes se administrava a violência como norma, instauraram-se a escuta, a presença e a partilha. Os trabalhos não se organizaram como denúncia direta, mas como presenças insistentes: imagens, gestos e narrativas que articularam ancestralidade, melancolia, memória familiar, grafismos, corpos femininos, produção artística e saberes intergeracionais.

Ao ocuparem esse edifício, as artistas tensionaram a lógica histórica do controle e afirmaram outros modos de habitar o espaço. O cuidado, ali, não foi doméstico nem imposto, mas um gesto político e diplomático: cuidado com os próprios corpos, com os territórios e com as relações que sustentaram a vida comunitária. A criação foi entendida como produção intelectual, estética e simbólica, capaz de transformar espaços de poder em territórios de escuta, criação e continuidade. A exposição “Barril é falar de amor sem gritar resistência” convidou o público a desacelerar o olhar e reconhecer que, para muitas mulheres, resistir também foi ocupar, produzir, afirmar e permanecer, mesmo quando tudo havia sido historicamente construído para impedir isso."  _Raquel Barbosa, Curadora da exposição Barril é Falar de Amor sem Gritar Resistência.

O projeto contou com êmydyô na Elaboração e Produção Executiva, Raquel Barbosa enquanto Curadora, Lucas Prudencio enquanto Marceneiro Expografico, Evelyn Emi enquanto Designer, Lucas Alfaro enquanto Fotografo  e Editor, Reinan Oliveira enquanto Produção, João Pacheco dos Santos enquanto Auxiliar de Produção, Henrique Lisboa, enquanto Auxiliar de Produção e Karolaine Sales enquanto Editorial do Catálogo Pedagógico da exposição.