
Exposição, Raiz e Terra: Mecanismos de Reinvenção, Retomada e Retensão Ancestral
Exposição coletiva afroindígena no SESC, Porto Seguro/BA, 2025.
êmydyô
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Atuei enquanto curador e coordenador geral da exposição Raiz e Terra: Mecanismos de Reinvenção, Retomada e Retensão Ancestral, realizada de 11 á 13 de setembro de 2025, no SESC Porto Seguro, na Rua Helena Maria de Paula, 145, Parque Ecológico Residencial João Carlos I, na cidade de Porto Seguro/BA. Expondo 5 artistas afroindígenas com origens das comunidades Negra, Tupinambá, Pataxó e Payayá, com a exibição de 10 obras. A mostra teve um alcance de 450 visitantes ao longo do período expositivo e estimando um alcance de divulgação para 10 mil pessoas através das redes sociais, imprensa e canais comunitários. O alcance buscou impactar de forma sensível e crítica pessoas de variadas origens, incluindo mobilizações com escolas, universidades, coletivos culturais, centros de referência, além de lideranças indígenas e negras da região. O projeto foi realizado pelo Coletivo Ybryda e integrou a programação formativa do VI F.EST.A - Festival Estudantil de Audiovisual, contando com o apoio institucional e financeiro da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PROEX) da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), através do projeto de extensão Imagina! Circuito Permanente de Audiovisual, e com o apoio do SESC Porto Seguro.








A exposição propôs a conexão com a matéria orgânica como tecnologia de sobrevivência e cura, demonstrando que elementos como o barro, a argila, a madeira, as fibras naturais e os pigmentos da mata são extensão das próprias mãos e corpos. Esses materiais não apareceram como meros suportes estéticos, mas como estratégias de vínculo comunitário, de sustentação espiritual e de transmissão de saberes intergeracionais capazes de manter vivas as cosmopercepções diante das tentativas históricas de colonização, deslocamento forçado e despossessão simbólica dos territórios. Instalada no SESC Porto Seguro, espaço de difusão e circuito institucional, a mostra deslocou a lógica das visualidades ocidentais. Onde antes se impunham rótulos e distanciamentos, instauraram-se a escuta profunda, o rezo e o encantamento. Os trabalhos não se organizaram apenas como objetos de contemplação, mas como presenças insistentes: pinturas, esculturas, instalações e objetos rituais que articularam o elo indissociável entre o humano e a natureza, o visível e o invisível.



Ao ocuparem esse circuito artístico, os artistas tensionaram as epistemologias dominantes e afirmaram outras formas de habitar o mundo e criar pensamento. A criação ali foi entendida como uma ferramenta intelectual, estética e política de retomada identitária : um compromisso com o território, com os afetos e com a cura do corpo coletivo. A exposição 'Raiz e Terra' convidou o público a ver com o coração, tocar com a alma e reconhecer que a raiz — profunda e viva — continua a nos lembrar que há arte e resistência onde há vida insistindo em brotar, mesmo quando as condições históricas tentaram fazer a terra parecer seca ." êmydyô, Curador e Coordenador Geral da exposição.