Atuei enquanto artista exposto e elaborador na exposição individual Resultado y Orygem, realizada de 10 a 23 de outubro de 2024, no Foyer do Centro de Cultura de Porto Seguro/BA. O projeto foi aprovado pelo edital OCUPAÇÃO DE PAUTAS ARTÍSTICO-CULTURAIS DOS ESPAÇOS CULTURAIS DA SECULTBA – OCUPE SEU ESPAÇO – Nº 01/2024 da Diretoria de Espaços Culturais (DEC) e alcançou um público de 400 pessoas em seu período de visitação. O projeto foi também utilizado enquanto meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), do Bacharelado Interdisciplinar em Artes pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB).
Realizada através da articulação entre o Kylombu Koletyvu e o circuito Ybryda, a mostra reuniu 14 obras de artes plásticas desenvolvidas por mim em técnicas mistas que integraram matérias-primas da própria terra, usando barro vermelho e barro amarelo, complementados com tinta acrílica, guache, nanquim e pilotos sobre tela. Entre os trabalhos expostos, destacaram-se as séries “Resultado y orygem”, “Afetos de barro e terra” e “Encontro”, além de telas de grandes e médios formatos como “Labutas ymaranhadas” (90cm x 90cm), “Não vym pra ser sozynho”, “Não carrego flores mortas na boca” e “Porto Seguro sempre será kylombu, sempre será aldeya”.
A expografia do projeto foi pensada para ocupar estrategicamente as 6 placas de madeira táteis dispostas no Foyer, criando um circuito de imersão que tensionou a falta histórica de espaços culturais democráticos e de fomento para a arte negra e indígena na região da Costa do Descobrimento. A estratégia de divulgação articulou campanhas em redes sociais, distribuição de panfletos, cartazes e comunicação direta com a comunidade, além do engajamento orgânico de discentes e docentes da UFSB e convites direcionados a escolas públicas e privadas da cidade.
A proposta central do projeto pautou-se na construção da subjetividade de um corpo afro-tupinambá baiano, resgatando oralituras, ditados populares, expressões regionais e as “ladainhas de mainha” que atravessam a vida nas periferias e roças do extremo sul da Bahia. Em um território onde o investimento cultural é majoritariamente canalizado para o turismo, a exposição firmou-se como um movimento de aquilombamento e retomada, transformando vivências cotidianas de violência, dengo, racismo, insegurança e resistência em linguagem plástica, intelectualidade e afirmação cosmológica.
"As linhas emaranhadas que formam rostos, palavras, feições, movimentos, lutas e sobrevivências são resultado de um olhar que digere a violência e o dengo encontrados na complexa realidade vivida por um corpo da diáspora no cenário racial baiano. Em 'Resultado y Origem', traduzo o amor, a raiva, o sistema colonial, os traumas do racismo, a homofobia, o carinho das mães e a retomada de uma cosmologia afro-indígena diaspórica, emergindo o respeito à memória dos meus ancestrais e legitimando a força das comunidades que aqui existem e resistem."
O projeto contou com: João Vitor Pacheco: Coordenação, Curadoria e Expografia; êmydyô: Coordenação e Artista Exposto; Juliana Ribeiro: Fotografia e Montagem; Erick Richards: Fotografia e Montagem; Equipe do Centro de Cultura de Porto Seguro.
























