
Feira de Arte Híbrida Multilinguagem
Feira de artes no antigo Colégio Estadual Ricaldi, no Centro de Porto Seguro/BA, 2023.
Atuei enquanto idealizador e organizador, juntamente com Luna Carvalho, da Feira de Arte Híbrida Multilinguagem, no contexto do V F.EST.A - Festival Estudantil de Audiovisual, realização do projeto de extensão universitária "Imagina! Circuito Permanente de Audiovisual", vinculado à Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) e coordenado pela professora Cristiane Lima. O evento foi realizado nos dias 05, 06 e 07 de outubro de 2023, no pátio do antigo Colégio Estadual Ricaldi, localizado no Centro Histórico, em frente à Passarela da Cultura, na cidade de Porto Seguro/BA. Expondo produções de diversos artistas — entre obras físicas e virtuais acessadas por QR Code —, a iniciativa alcançou um público amplo composto por estudantes da rede pública, universitários, moradores locais e turistas que circulavam pela região. A Feira foi a ação fundamental que deu posterior origem ao coletivo Ybryda, focado em projetos de culturais, arte, meio ambiente, literatura e geração de renda para comunidades afroindígenas e LGBTQIAPN+ no território da Costa do Descobrimento.









A Feira Híbrida Multilinguagem representou uma iniciativa singular para a promoção da arte contemporânea na Bahia, especialmente por sua capacidade de integrar artistas de diferentes cidades do estado, como Eunápolis, Teixeira de Freitas, Porto Seguro, Santa Cruz Cabrália, Belmonte e Salvador. Tal diversidade geográfica, muitas vezes dificultada pela precariedade de espaços físicos e logísticos, encontrou na dinâmica híbrida uma solução inovadora. O formato digital via QR Code permitiu expandir a presença de poéticas visuais, superando as limitações do espaço expositivo e acolhendo uma multiplicidade de linguagens.









A feira propôs a experiência coletiva e o alívio afetivo como estratégias de sustentação relacional e mental para artistas periféricos e marginalizados. Em um contexto marcado pela escassez de oportunidades no interior do estado e pelas desigualdades estruturais do Nordeste, a feira não funcionou apenas como vitrine comercial, mas como um espaço de acolhimento, fortalecimento de vínculos e construção de redes de apoio e resistência cultural. Instalada no pátio do antigo Colégio Estadual Ricaldi — espaço escolar ressignificado pela presença da arte estudantil e universitária —, a feira ocupou o ambiente central da cidade com mesas distribuídas para permitir a livre circulação e a convivência espontânea. Onde antes operava a rotina escolar tradicional, instauraram-se a partilha, a troca de saberes, a comercialização justa e o intercâmbio cultural. As produções não se limitaram ao formato convencional, manifestando-se por meio de publicações independentes, gravuras, cerâmicas, biojoias, pinturas, colagens e poéticas digitais que articularam memória, identidade, território e ancestralidade.



































Ao ocuparem esse espaço com uma proposta híbrida e colaborativa, os artistas afirmaram novos modos de circulação e sustentabilidade para a arte independente na região. A criação foi entendida como ferramenta de diálogo, autonomia e transformação social, capaz de conectar o ecossistema universitário à comunidade e de gerar redes duradouras de afeto e trabalho. A Feira Híbrida Multilinguagem reeditou a importância dos circuitos alternativos para a construção de futuros possíveis, onde criar é também resistir e alimentar os seus.
O projeto contou com Luna Carvalho e Êmydyô na Concepção e Organização; Cristiane Lima e Sergio Cerqueda na Coordenação e Apoio Institucional (Imagina! / UFSB); apoio da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB); além da participação de diversos artistas expositores, entre eles: Gustavo Santos, Êmydyô, Dominic Tomi, Dapaz Generino, Ianina, Cassiano Lacerda, Santoveno, João Vitor Pacheco, Evelyn Emi, Ana Julia Nogueira, Emily Oliveira, Thais Hoffman, Raissa Marques, Jhonatan Almeida, Gal, Lucas de Jesus Santos Junior, Clara Egrejas, Teo, Tamykwã Pataxó, Waleria Oliveira, Txaywã Silva Ferreira, Simyrã Pataxó, Editora Terê (por Luna Carvalho), entre outres.



