
Festival de Artes Negras, II Encruzilar
Festival de artes negras II Encruzilar, Museu Câmara e Cadeia, Centro Histórico, Porto Seguro/BA, 2025.
Atuei enquanto artista exposto, exibindo 20 telas e ministrando 1 oficina no II Encruzilar – Festival de Artes Negras, realizado de 31/10 a 08/11/2025, no Museu Câmara e Cadeia, localizado no Centro Histórico de Porto Seguro/BA. Reunindo uma equipe e rede de mais de 60 pessoas envolvidas e voluntárias, o projeto alcançou um público real atingido de 800 pessoas, além de gerar 1 apresentação em evento científico (premiada no 11º CIPCI - Congresso de Iniciação Científica) e 2 outras produções derivadas da extensão, incluindo um filme documental em fase de desenvolvimento. A programação contou com a Mostra Encruzilar de Cinema Afrodiaspórico — que exibiu 13 filmes de realizadores negros de diferentes regiões do Brasil e ganhou uma edição infantil ("Mostrinha animada Peregrino", com 20 participantes) —, além de 10 atividades entre apresentações e performances (como "Sacudimento", "Exu", "Ciranda", "Te amo, por isso te liberto", "Corpo de encruza", "Ki", "Histórias de um graveto", pintura facial, Samba de roda e os shows de SolHanna e Marysol Costa com Luciana Veloso), reunindo 100 participantes na Vernissage de abertura embalada por DJ Emmer'c. O festival abarcou também oficinas formativas de Fotografia (7 participantes), Iniciação aos Locs (10 participantes), Maquiagem para Pele Negra (13 participantes), Capoeira (15 participantes) e a oficina Terracorpo, facilitada por mim, envolvendo práticas de preparação e aplicação de pigmentos naturais para 15 participantes.








O projeto teve apoio e viabilização por meio do programa de extensão da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), em parceria com a Superintendência de Cultura e Prefeitura Municipal de Porto Seguro, articulando-se com laboratórios como o LABSIM, a UFSB na TV e a TV Porto.












"Queremos a porta da frente para entrar e sair, pensar e permanecer no mundo com o direito de existir garantido, nossos sonhos antigos não esperarão 500 anos novamente, o amanhã precisa lembrar do ontem para não encontrá-lo nunca mais. O Encruzilar vem do sussurro de nossos ancestrais, que nos guiaram no caminho, no espírito, nas salas de aula, e nos livros rasgando páginas brancas para sermos genuinamente lidos, genuinamente vivos e é nesse gesto que o festival se realiza: um grande encontro da diáspora, unindo negrodescendentes do Brasil inteiro, para representar a arte negra contemporânea, e as encruzilhadas e espirais que a nutrem e revelam."








O Encruzilar nasceu no território da Costa do Descobrimento como um movimento contemporâneo e de aquilombamento que busca unir pessoas pretas de todos os lugares, afirmando a arte negra para além de corpos negros pintados ou narrativas conduzidas por pessoas brancas. Em sua segunda parada (transicionando do formato de circuito na UFSB para o formato de festival no Centro Histórico) o projeto tomou a exposição de arte negra contemporânea como seu produto principal. O novo conceito visual e a identidade do festival abraçaram a simbologia do fundo espiralar e encruzilado, o novo símbolo de dois tridentes cruzados com búzios e referências às simbologias dos Odus.








Em minha atuação artística, integrei a exposição ocupando uma sala individual, onde pude expressar minha pesquisa poética e expográfica em conjunto com a curadoria, fazendo com que as 20 obras flutuassem e dialogassem diretamente com a arquitetura do espaço. Além disso,, ministrei a oficina Terracorpo, compartilhando saberes práticos sobre a extração, preparação e aplicação de pigmentos naturais com a comunidade. O cuidado com os corpos e com a memória ancestral reconfigurou o sentido do museu, transformando a repressão em um espaço vivo de criação, protagonismo infantil, denúncia e transmissão intergeracional de saberes. O festival reafirmou que resistir é também ocupar, produzir e permanecer, inscrevendo no mundo saberes que a história oficial tentou silenciar.








O projeto contou com a equipe diretiva e executiva composta por Sara Almeida na Liderança de Identidade Visual e Comunicação, João Carlos e Iran Britto no Design e Identidade Visual, João Vitor na Curadoria, Liderança de Montagem e Comunicação, Erick Richards na Curadoria, Liderança da Mostra de Cinema e Comunicação, Juliana Ribeiro na Curadoria, Liderança de Oficinas, Gestão Financeira e Compras e DaPaz na Produção, além do suporte de voluntários, docentes e discentes da UFSB.





